“O Brasil está preparado para ter um novo presidente?”

Welinton dos Santos é economista e palestrante

Welinton dos Santos
27/08/2010 - 14h54

“O Brasil está preparado para ter um novo presidente?”

Em breve estaremos escolhendo o novo Presidente da República Federativa do Brasil, o principal articulador político do país e pergunto, será que o Brasil está preparado para ter um novo presidente?

Ao observarmos o crescimento da economia brasileira nos últimos anos, percebemos um salto considerável na qualidade de vida de milhões de brasileiros, mas ainda somos carentes de uma gestão pública mais equilibrada, racional e eficiente. Existem vários órgãos do governo que são até competentes, mas em muitos deles ainda existe o excesso de burocracia, o desrespeito à vida humana, por falta de preparo ou vontade de técnicos ali alocados. Conheço muitos funcionários públicos excepcionais, pessoas de bem e que são comprometidos com o seu trabalho público que é servir a sociedade. Mas o que observo em boa parte do Brasil é ainda a falta de preparo profissional, a ingerência administrativa e em alguns casos o descaso. 

O novo presidente terá um grande desafio pela frente ao analisarmos as promessas de campanha de cada candidato. Pelo que prometem será impossível realizar qualquer tipo de reforma fiscal que diminua a carga tributária brasileira, o que compromete em parte as exportações brasileiras, estas detentoras de grande potencial de emprego formal no Brasil. Existem probabilidades de aumento da dívida pública interna e externa. Os pólos de desenvolvimento no país são distintos e com características diferenciadas, o que auxilia num projeto de criação estratégica de emprego e renda, porém, precisa seriedade neste trabalho. 

Desenvolver a Cultura promove o desenvolvimento dos municípios; incentivar o turismo, bem como agregar profissionalismo ao setor, pode gerar centenas de milhares de empregos; investir em projetos de energias sustentáveis, que prevaleça o controle do meio ambiente, frente ao absurdo que vemos hoje das queimadas no país, pode gerar não milhares, mas milhões de empregos sustentáveis; incrementar práticas na educação profissional em todo o país muda a realidade, aplicado principalmente as famílias que recebem bolsas auxílio do governo, como uma forma de ensinar a pescar, é de grande valia, para o crescimento sustentável e digno da sociedade brasileira. 

Entre os gargalos da economia nacional, devemos citar a questão de infra-estrutura de transporte, que pesa no custo Brasil e influencia de forma direta nos preços dos produtos brasileiros, tanto no consumo interno como para o mercado exportador, tirando oportunidades reais de crescimento da economia brasileira. Investir neste seguimento é importantíssimo para a manutenção do crescimento econômico brasileiro, dentre eles é necessário um projeto macroeconômico de desenvolvimento sustentável de construção, manutenção e ampliação de: portos, aeroportos, ferrovias, metrôs, trens de superfície, transportes coletivos e rodovias. 

A privatização das rodovias é ainda a melhor forma de gestão das estradas brasileiras que em grande parte estão abandonadas, esburacadas e colocando em risco a vida de milhões de brasileiros, as exceções são as rodovias privatizadas e já revitalizadas, apesar do alto custo do pedágio, o nível de segurança no trajeto, bem como o sistema de apoio é eficiente. Enquanto não for criado um sistema inteligente de gestão dos transportes a nível nacional, em um projeto macro de longo prazo que busque o desenvolvimento integrado, nós continuaremos a pagar caro pelo sistema logístico modal de transportes no país. 

Outro problema grave no Brasil é o sistema de atendimento à saúde, considerada a maior preocupação do povo brasileiro. Além da melhoria de gestão, são necessários efetivos programas de melhoria de: treinamentos, qualificação, distribuição logística de medicamentos, adequação de atendimento de alta complexidade, logística de transporte de pacientes, melhoria do sistema de transplantes, diminuição no sistema de filas de consultas e exames, bem como aumento no número de unidades de atendimento em todo país.
 
Faz-se necessário o incentivo de políticas públicas para área médica, tanto no desenvolvimento de pesquisas como na abertura de um maior número de vagas universitárias na área de saúde a nível nacional. Melhoria no sistema de qualidade de ensino brasileiro; combate a corrupção e às drogas; investimentos em qualificação profissional do funcionário público; rombo da previdência social; melhoria das exportações; manutenção dos incentivos à habitação e a educação são outros destaques?

Em pleno mandato da Copa do Mundo, dívidas serão feitas, mas espero que as prioridades do novo presidente seja de fato a população do Brasil.

O Brasil é um país rico, uma verdadeira potência econômica, para crescer, necessita trilhar os caminhos da competência da gestão pública.


 

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