Crítica: Quem quer ser um milionário?

Quando Bollywood bateu Hollywood.

Filipe Castro,colaborador.
17/04/2009 - 17h48

Crítica: Quem quer ser um milionário?

Quantas pessoas podem imaginar que nas mais controversas situações, tudo pode mudar. Encantador, Quem Quer Ser Um Milionário?(Slumdog Millionaire, 2008/Dir: Danny Boyle), deixa apenas uma mensagem, a de que a probabilidade cria chances e assim sonhos, conquistas ou vitórias podem se realizar. Danny Boyle, que sempre mostrou um lado alternativo em suas direções, realmente merece todas as menções honrosas por este filme. Da atuação aos pequenos elementos que complementam esse filme, a trilha, a edição, a fotografia, entre outros, a produção se molda dinâmica e peculiar, podendo estar escrito em algum lugar que essa é a melhor produção de 2008.

O filme mostra o jovem Jamal Malik (Dev Patel) no conhecido programa de perguntas e respostas Quem Quer Ser Um Millionário? (se compararmos, aqui no Brasil tivemos Silvio Santos como um carismático apresentador, ao contrário do indiano) onde sua façanha de se tornar rico é motivo de dúvida devido às suas origens pobres e incultas. O desenrolar une cada pergunta às suas justificativas à policia e os flashes de seu passado humilde e favelado em companhia do irmão Salim e da adorável Latika (Freida Pinto), por quem guarda um grande amor e razão de toda sua “aventura”.
 
As cenas fluem agradavelmente, cativando o espectador. Incomoda às vezes ao sermos jogados em um mundo suburbano e culturalmente diferente, mas nada que não tenhamos já visto, daí às comparações com o filme brasileiro Cidade de Deus. Mesmo em condições divergentes, as seqüências são animadas com as estripulias das crianças e o ritmo que elas imprimem ao filme, muito bem acompanhadas pela trilha sonora que dá vida à produção. Outra proeza do diretor é conseguir direcionar o trabalho espetacular do elenco infantil conciliado a enquadramentos, movimentos e planos de câmera que desfalcam os pequenos erros de atuação em prol de realçar o verdadeiro sentido das seqüências.
 
Outro fator, que para alguns pode ser negativo, é o de que Slumdog Millionaire corre contra as produções dramáticas que casualmente são preferidas pelas criticas. Torna-se um filme bonito ao ponto de que primeiramente mostra as situações adversas do protagonista, praticamente todo o drama do filme, em contrapartida ao final feliz.
 
Este drama maciço é harmonizado com pitadas de humor, que realmente aliviam o espectador no decorrer do filme. Vale lembrar também os detalhes que aperfeiçoam ainda mais essa beleza, seja pelo visual indiano ou pelos toques espalhafatosos de Bollywood, que singelamente aparecem durante o longa.
 
Negativo dá-se ao fato da produção ser britânica, misturando a linguagem das crianças indianas ao argumento principal em inglês. Como quase todo o elenco é indiano, sendo somente o protagonista britânico, a pronúncia soa forçada e desajeitada em algumas situações.
Diferente dessa safra do Oscar, Slumdog Millionaire marca uma evolução deste tipo de produção, uma conciliação entre o rebuscado e o emotivo, fazendo jus às suas indicações e todos os outros prêmios já conquistados.
 


 

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