Crítica: Na natureza selvagem

Na Natureza Selvagem: Seria a sociedade mais selvagem que a natureza?

Filipe Castro
07/04/2009 - 13h48

Crítica: Na natureza selvagem

Direção e roteiro do atual ganhador do Oscar de Melhor Ator, Sean Penn, Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007) traz elenco de notáveis jovens e veteranos, na adaptação da biografia do jovem Christopher McCandless, que após se formar abdica toda sua vida em prol da natureza e à apreciação desta, sob genuíno ponto de vista.

Esta obra nos remete a vários questionamentos quanto à nossa rebeldia ou sentido de libertação. McCandless abandona seus pais e sua adorada irmã para uma viagem pelos Estados Unidos em busca não de um objetivo pré-estabelecido, mas de descobertas e conhecimentos que respeitem seus valores e pensamentos. O jovem é apresentado como utópico, indagador e insatisfeito. Não prioriza o relacionamento humano e questiona as necessidades que isso cria em uma sociedade. Assim se rebela às convenções sociais como resposta aos conflitos com seus pais, na tentativa de apagar as marcas que lhe foram deixadas.
 
O roteiro não trabalha McCandless como herói, mas nos dá o direito avaliar todas as crueldades e imperfeições desse jovem. Primeiramente pelo abandono da família, onde nem se quer informações sobre seu paradeiro chegam para abreviar a dor da mãe (vivida pela competente Márcia Gay Harden), e também por suas atitudes, para alguns imaturas e alienadas, como o de queimar dinheiro, que traz muito mais valor figurado do que necessário na peculiar cabeça de McCandless. Portanto não há como não perceber que sua obstinação soa como uma insípida crise burguesa diante dos problemas reais, e de fato relevantes, encarados por tantas outras pessoas.
 
Sua principal contradição é pelo repúdio ao social, e nota-se interesse nas conversas com personagens que aparecem durante sua trajetória, buscando experiências que lhe sirvam de valor e aprendizado. Um ponto interessante é o momento onde ele mesmo compartilha seu aprendizado com um senhor de idade, dando vida a este e novas perspectivas. Nada que seja durável, pois sua missão de ir ao Alasca é imutável.
 
O roteiro é forte naquilo que realmente interessa, ou seja, para um filme de duração média, como contar uma aventura tão grande e tão rica em detalhes? Outros pontos relevantes vêem da preocupação com a beleza de simples acontecimentos, como a cena em que seus cabelos molhados balançam em câmera lenta, acentuando o  prazer de tal situação. A trilha sonora adoça os passos do protagonista e engrandece o filme ao lado de sua fotografia e locações.
 
Sobre atuações, Emile Hirsch (Speed Racer, Show de Vizinha) é novo e inexperiente, mas conseguiu com esta oportunidade se destrinchar. Uma observação impressionante é sobre sua mudança física, que nos deixa incomodados e ao mesmo tempo confiantes com esse ator. Vince Vaughn (Separados pelo Casamento) faz um personagem malandro, mas acolhedor. Kristen Stewart (Crepúsculo, O Quarto do Pânico) chama a atenção por seu papel ser diferente de outros interpretados pela atriz. E Jena Malone (Lado a Lado) traz leveza ao filme.
 
No todo, o filme faz um paralelo à rebeldia, mas mostra o lado cruel de suas consequências, desde o prazer pleno ao desgosto das imposições do mundo. MacCandless, que antes não assimilava felicidade ao convívio humano, compreende no final que esta só é gozada se assim compartilhada.
 
 

Patos Notícias


Patos Notícias


Patos Notícias