Crítica: The Reader

Com 6 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, ''The Rider'' é um misto de romance e drama. Estrelado por Kate Winslet, uma das favoritas ao Oscar de melhor atriz.

Lucas Oliveira
20/02/2009 - 11h04

Crítica: The Reader

The Reader - dirigido por Stephen Daldry e escrito David Hare baseado num romance alemão de Bernhard Schlink - traz Kate Winslet como Hanna Schmitz, uma bela e misteriosa mulher que conhece Michael Berg (David Kross) doente em um trem. Hanna ajuda a socorrê-lo e meses depois de sua recuperação, Michael a procura para a agradecer culminando em uma breve e intensa paixão. Apesar do dobro de sua idade, Hanna recebe o garoto em sua casa e a relação é construída em cima da leitura de clássicos literários.

Tempos depois, misteriosamente Hanna desaparece. Inconformado, Michael tenta seguir sua vida em frente e entra para a faculdade de Direito. Lá participa de um seminário que ironicamente o leva ao encontro de Hanna, desta vez como ré em um julgamento sobre crimes cometidos pelos nazistas. É inevitável que o espectador não se envolva com a história do longa.

Aliás esse processo de catarse, que tem se tornado incomum em muitos filmes, acontece naturalmente em The Reader. A trama flui de forma agradável, espontânea e inteligente. Acostumado a quase sempre analisar os filmes de forma técnica, aqui o foco acaba se tornando outro: é impossível não torcer, sofrer e se frustrar com os personagens e é justamente esta peculiar e rara capacidade que faz o roteiro do filme ser obviamente eficaz e brilhante.

É incontestável também que as atuações de Kross e Winslet sejam relevantes, já que suas presenças é que tão o tom dramático aos diálogos e as expressões não-verbais. Ralph Fiennes, que interpreta Michael mais velho, é incisivo em sua participação, mas não tem o mesmo charme – não apenas jovial – de Kross. Em determinadas cenas, até parece que Michael torna-se outra pessoa. É óbvio que ninguém depois de vinte anos é perfeitamente igual ao que era, sobretudo quando se passa por uma situação de carga emocional densa como Michael Berg passara, mas fica claro o tom às vezes perdido que Fiennes usa em seu personagem.

O longa pode ser dividido em duas partes: a primeira que começa com o encontro de Hanna e Michael e vai até o desaparecimento dela; e a seguinte que inicia com a aceitação de Michael e segue até o desfecho da trama. Na primeira parte percebemos Michael como um jovem inexperiente, carismático e culto. Aliás sua fascinação pela leitura é que desperta em Hanna seu interesse pela literatura clássica. O espectador vive seu momento de glória, torce pelo romance, mas percebe que alto há de errado na relação, revelado posteriormente no julgamento. A segunda parte do filme não é exacerbadamente dramática, mas é frustrante.

Michael se torna então um personagem que em cada minuto faz o espectador sentir-se impotente, tendo que ver a trama se desenvolver ao mesmo tempo que nada pode ser feito. É inútil sentir-se ligeiramente tolo nestes momentos (não no sentido pejorativo), mas na conotação mais inteligente que possa ser dada. O espectador é iludido, ironicamente enganado e padece pacientemente com o destino de Hanna.

Em muitos momentos é perfeitamente compreensível sentir um tremendo e vazio ódio por Michael, porque é difícil compreender naquele instante suas razões quando na verdade ele poderia mudar o destino dela e não o faz. A partir daí, Michael se torna então alguém difícil de se lidar, de ter carisma ou piedade e Hanna torna-se a anti-heroína. Graças a sua imprevisibilidade, The Reader cria uma atmosfera de suspense e emoção altamente carregada de expectativas além de um sincero e angustiado retorno da audiência.

O filme, em seu conjunto, é uma obra-prima extraordinária e seu diferencial está justamente no fato de apresentar uma trama que pode ser vista por outros ângulos. É difícil julgar Michael ou Hanna por suas atitudes pretéritas ou presentes, já quase sempre somos também conduzidos a atitudes impulsivas e convenientes. O filme embora fale sobre o nazismo poupa o espectador dos redundantes e enfadonhos discursos políticos empregados em vários outros longas. O foco aqui é abertamente a relação entre Winslet e Kross e a Alemanha torna-se apenas cenário. Destaque para a frase de Hanna: "You don't have the power to upset me. You don’t matter enough to upset me."

 

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