Pró-Saúde encerra intervenção no Hospital São Lucas e na Clínica D’Henroville

A entidade foi indicada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais para realizar a intervenção nas unidades;

Igor Nunes
21/08/2019 - 19h36

Pró-Saúde encerra intervenção no Hospital São Lucas e na Clínica D’Henroville

A Pró-Saúde encerrou nesta quarta-feira, dia 21/8, a intervenção no Hospital São Lucas, em Patos de Minas, e na Clínica de Hemodiálise D’Heronville, no município de Unaí, ambos no Estado de Minas Gerais, após concluir o diagnóstico técnico sobre a situação econômica, administrativa e assistencial das unidades de saúde.

A entidade foi indicada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais para apurar a situação atual e propor soluções para a recuperação do hospital e da clínica, que enfrentam um grave quadro de precariedade e endividamento.

O diagnóstico foi realizado no período de 20 de maio a 12 de agosto deste ano e envolveu o trabalho feito por técnicos de diversas áreas da Pró-Saúde — administrativa, médica, jurídica, enfermagem, suprimentos, comunicação, operações, contabilidade entre outras. Com mais de 50 anos de atuação, a entidade é considerada uma das maiores filantrópicas do País.

O relatório mostra que as dívidas do hospital e da clínica ultrapassam os R$ 15 milhões. O rombo afeta diretamente funcionários com salários atrasados, prestadores de serviços e fornecedores que, sem receber, interromperam a manutenção de equipamentos utilizados no atendimento e realização de exames de pacientes.

Cirurgia Geral, Cirurgia Oncológica, Mastologia e Cirurgia Vascular haviam paralisado a prestação de serviços desde maio, por falta de recebimento de honorários médicos.

Para se ter uma ideia da gravidade, das 67 máquinas de hemodiálise do hospital e clínica, 25 estavam paralisadas por falta de recursos para reparos.

 

Atendimento

Durante a intervenção, a Pró-Saúde colocou em prática uma série de ações para tentar reverter o processo de precarização do hospital e clínica, em uma tentativa de recuperar minimamente o atendimento à população.

A entidade conseguiu ampliar o estoque de R$ 289 mil para R$ 544 mil, o que melhorou a reposição de materiais médicos utilizados no atendimento à população.

Outro ponto importante alcançado pela gestão da entidade foi o pagamento dos salários atrasados dos colaboradores, após repasse de recursos da Prefeitura de Patos de Minas.

A Pró-Saúde também realizou a manutenção corretiva de equipamentos do hospital, que incluem os aparelhos da hemodiálise e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto e neonatal, e a recuperação de raios x e incubadoras.

Foram restabelecidos os atendimentos médicos e os serviços de análises clínicas realizadas por laboratórios terceirizados.

Houve, ainda, a regularização de pagamentos das contas de energia elétrica, água, telefone e internet que constavam em atraso e com o serviço de telefonia suspenso. Das três usinas de oxigênio paralisadas no hospital, duas foram recuperadas pela entidade.

As ações realizadas no hospital repercutiram na cidade. A Secretaria Municipal de Saúde chegou a reconhecer os resultados em entrevistas concedidas à imprensa.

Nesta quarta-feira, dia 21/8, agentes da Vigilância Sanitária realizaram nova inspeção no hospital com a finalidade analisar os apontamentos realizados na última vistoria.

Segundo os agentes, durante a inspeção, houve o reconhecimento da evolução da organização, administração e limpeza das instalações.

A Pró-Saúde, porém, observa que as melhorias tanto no hospital quanto na clínica, não representam uma resolução total dos problemas existentes nas unidades.

A entidade explica que ainda existem pontos com necessidade de adequação, entre os quais destacam-se a ausência de responsável técnico médico pelo Hospital São Lucas, que incluem as UTIs na unidade.

Também a necessidade de formalização de contratos para os serviços de laboratório de análises clínicas e pelo serviço de engenharia clínica, especialmente para a manutenção preventiva dos equipamentos de hemodiálise e de suporte a vida.

A Pró-Saúde também constatou a falta de projeto arquitetônica do hospital, documento essencial para a autorização e funcionamento de órgãos como Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária.

Texto e foto: Assessoria de Comunicação da Pró-Saúde