Conheça o movimento LGBT em Patos de Minas

O Patos Notícias explica sobre o movimento LGBT na cidade. A Festa Alôka celebrará os cinquenta anos do Dia Internacional do Orgulho Gay, celebrado no dia 28 de junho.

Caio Machado
06/06/2019 - 16h56

Conheça o movimento LGBT em Patos de Minas

No dia 28 de junho é celebrado o Dia Internacional do Orgulho Gay. A data teve início 50 anos atrás, quando um grupo de homossexuais nova-iorquinos se revoltaram em um bar gay The Stonewall Inn, em resistência à forte violência policial que sofriam.

O ato ficou marcado como data comemorativa do Orgulho LGBT, sigla que engloba lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros, e que em algumas variáveis, usa as letras “I” de intersexual ou “Q” de queer (termo utilizado para designar pessoas que não seguem padrões), etc.

Em Patos de Minas, o movimento tem ganhado força nos últimos anos com eventos anuais como a festa Miss Glamour Gay, que vai para a 22º edição em 2019, e baladas recentes, como a Festa Queen, que já foi realizada duas vezes na cidade.

Vale salientar que o segmento tem sido um dos mais lucrativos no país. O termo designado para este nicho, “pink money”, ou em tradução direta, dinheiro cor de rosa, já movimenta cerca de 420 milhões de reais por ano, segundo pesquisa da Out Leadership.

9,55% dos casais LGBT’s recebem cerca de cinco a dez salários mínimos, segundo o Censo IBGE em 2010. Enquanto casais de famílias brasileiras heteroafetivas representam apenas 3,41% deste total. E este é apenas um dos fatores que pode explicar a alta do “pink money”.

Outro aspecto é a tendência de marcas mundiais e nacionais engajadas na causa LGBT que passaram a difundir campanhas com casais homossexuais, quebrando o tabu e hegemonia de parceiros heterossexuais em anúncios publicitários do tipo.

 

Baladas LGBT em Patos de Minas

Para o músico Piëit, nunca antes em Patos de Minas o movimento esteve tão forte. “Pela primeira vez na cidade, estamos tendo espaço. Mesmo que nunca tenha ocorrido nenhum tipo de Parada Gay ou evento maior, festas LGBT estão ocorrendo com frequência e público consolidado”, afirma.

Autor dos hits “Karma” e “Teu Gingado”, Piëit chegou a organizar 12 festas mensais exclusivamente voltadas para o público homossexual. Devido ao hiato da casa de shows que mantia parceira, ele decidiu realizar as festas por conta própria por meio da Frida Produções, da qual é sócio.

Nesta sexta-feira (07), a Festa Alôka dará início a uma série de baladas independentes voltado ao público LGBT. O evento acontece à partir das 22h no Salão de Festas da AABB, com presença confirmada dos DJ’s Henrique, Luana Castro e Ameerah.

“Ainda falta a aceitação dos patenses em relação aos nossos eventos. Sequer pensamos em lucro quando organizamos alguma festa e sim se as mesmas não nos darão prejuízo. Os empresários de Patos de Minas não se manifestam e não sabemos quem nos apoiaria”, detalhou Piëit.

Uma das atrações que estará presente na Festa Alôka, é a drag queen patense Ameerah, que atua profissionalmente como performer e DJ desde 2018. No mês passado, ela organizou o “Chá da Ameerah”, consolidando mais uma balada voltada ao público homossexual.

“Desde minha adolescência tive esta fascinação pela arte drag. O cenário da cidade cresceu bastante desde que as meninas Molly Crocker, Nyx Tenebris e a Allane Stefany colocaram a cara pra bater e saíram montadas pelas ruas”, detalhou Ameerah.

Para a DJ, a aceitação do público LGBT nestes eventos tem sido ótima, e também é inclusiva para os heterossexuais simpatizantes. “A primeira edição do Chá da Ameerah foi um sucesso, e já estamos organizando uma segunda edição que será bem melhor que a primeira”, prometeu.

A participação de Ameerah não se resume apenas em festas e eventos culturais. Ela esteve presente no debate “Precisamos Conversar”, realizado na Câmara dos Vereadores realizado no último dia 21 de maio, que tratou sobre a importância da criminalização da homofobia.

“Ainda há muito que progredir e conquistar. Estamos indo a um passo de cada vez, e para muitos pode parecer pouco, mas para nós da comunidade LGBT é muito. Não queremos privilégios como o presidente da república já afirmou, e sim apenas igualdade”, diz Ameerah.

 

Preconceito e homofobia

Piëit afirma que o momento em que a cidade se encontra não pode parar de jeito nenhum e que o processo de consolidação é lento, mas muitas coisas foram conquistadas. Os maiores entraves sofridos pelo público LGBT são os relacionados à preconceito e homofobia.

No Brasil, cerca de 552 homossexuais são mortos por ano, totalizando uma vítima de homofobia a cada 16 horas, segundo um levantamento de Julio Pinheiro Cardia, ex-coordenador da Diretoria de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos.

“Uma das nossas maiores preocupações ao realizar eventos é com a segurança. Queremos sempre proporcionar um ambiente onde as pessoas possam ser quem elas realmente são e não precisem se sentir receosas”, afirma Piëit.

O projeto de lei nº 672-2019, de autoria do Senador Weverton do PDT do Maranhão, que criminaliza a discriminação e o preconceito relativos à identidade ou orientação sexual, foi aprovado em primeiro turno na CCJ do Senado e já tramita na Câmara.

Amerah salienta que o cenário político atual demanda a união do movimento. “Estamos a um passo de criminalizar a homofobia, será um avanço muito grande devido as atuais circunstâncias e pela onda conservadora que tomou conta do país”, pontua.

Para Piëit, a ideia não é segregar, e sim criar uma alternativa para o movimento LGBT da cidade. “Fica explicito que não somos bem vindos em certos ambientes patenses. Não é apenas pela vibração das pessoas e sim pelo posicionamento averso das mesmas”, relata.

No sábado da próxima semana (15), a Frida Produções também realizará a Festa Las Bibas, no Rancho Jatobar e a previsão é que a produtora faça pelo menos dois eventos por mês até que algum novo local destinado ao público homossexual seja consolidado.

“Nunca imaginei que iria realizar estas festas. Tudo aconteceu naturalmente, quando meus amigos e eu buscávamos apenas festas para dançar e divertir. Enquanto eu tiver condições eu irei apoiar a causa LGBT”, concluiu Piëit.

Imagem: Ilustração / Frepik