Operação Ceres combate a sonegação de impostos no comércio de grãos em Minas Gerais

A ação tem por objetivo combater fraude na comercialização de grãos nas regiões do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Gerais, o chamado “cinturão dos grãos.

27/11/2018 - 14h10

Operação Ceres combate a sonegação de impostos no comércio de grãos em Minas Gerais

Na manhã desta terça-feira (27) foi deflagrada nas cidades de Unaí, Paracatu, Guarda-Mor, Belo Horizonte, Contagem, Formosa/GO e São Paulo/SP a Operação Ceres. O nome da operação remete à deusa romana das plantas que brotam (particularmente dos grãos) ou deusa dos cereais.

Trata-se de uma operação conjunta composta pelas equipes da Receita Federal em Minas Gerais, a Receita Estadual, o Ministério Público Estadual, por meio da Coordenadoria de Crimes contra a Ordem Tributária das regiões do Triângulo e Noroeste, e pelas Polícias Militar e Civil de Minas Gerais, órgãos que integram o CIRA/MG.

O mapeamento da organização criminosa demandou mais de um ano de trabalho das instituições envolvidas, identificando a prática pelos envolvidos de crimes contra a ordem tributária, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, com a utilização de mais de 1 bilhão de reais por ano em notas fiscais frias para a sonegação de tributos no comércio de grãos.

A fraude, de que deve resultar cinco denúncias criminais, conta com a atuação de contabilistas, em conluio com os operadores das empresas, tanto na constituição e operação de empresas noteiras; na emissão indevida de notas fiscais em nome de produtores rurais; e na escrituração contábil fraudulenta.

Há também fraude na atuação dos corretores que ficam responsáveis por identificar o produtor rural com interesse em vender suas mercadorias sem nota fiscal e providenciar as notas fiscais de entrada (criação de créditos fictícios de ICMS) e saída (venda) para a indústria, todas de empresas noteiras, de sua propriedade ou de terceiros.

Os tributos federais sonegados com as fraudes investigadas são o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL - contribuição social do empregador rural pessoa física), cujo fato gerador é a receita bruta auferida com a comercialização de sua produção, sendo a responsabilidade pelo recolhimento atribuída à cooperativa ou à empresa adquirente; o Imposto de Renda Pessoa Física, sonegado mediante a venda de grãos sem a devida emissão da nota fiscal pelo produtor rural; e, o PIS/COFINS, que devem ser recolhidos nas aquisições de pessoa jurídica (noteiras) e possibilitam a dedução de parte dessas contribuições sociais que, na verdade, não foram recolhidas.

A sonegação do ICMS ocorre por meio do creditamento indevido do imposto destacado em notas fiscais falsas ou ideologicamente falsas emitidas por empresas criadas em outros Estados exclusivamente para fornecimento de créditos. Ocorre também o lançamento de crédito fictício na escrita fiscal. O prejuízo apurado para a Fazenda Estadual já ultrapassa duzentos e cinquenta milhões de reais.

A operação tem a participação de 52 servidores da Receita Federal (Espei06, Efrau06 e equipe de fiscalização da DRF Sete Lagoas), cinco Promotores de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, 60 servidores da Receita Estadual de Minas Gerais, 124 policiais civis, 15 delegados e 39 policiais militares para o cumprimento de dois mandados de prisões preventivas, 20 de prisões temporárias e 46 mandados de buscas e apreensões (MBA), em Minas Gerais, São Paulo e Goiás.


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Fonte e Fotos: Hélder Geraldo Miranda de Oliveira - Auditor Fiscal da Receita Federal e Delegado da Receita Federal em Contagem