Critica: As Horas

Nicole Kidman já viveu grandes papéis no cinema, mas foi com a personagem de As Horas que ela conseguiu seu primeiro Oscar.

Filipe Castro
19/12/2008 - 16h11

Critica: As Horas

As Horas (The Hours, 2003/Dir: Stephen Daldry), um filme baseado na obra de Michael Cunningham (As Horas) retrata a vida de três distintas mulheres em três diferentes tempos. A complexidade da estória prende-se ao entrelaçar as semelhanças psicológicas que cada uma vive em conseqüência de suas rotinas em suas respectivas sociedades.

Outro ponto em comum é a apreciação da famosa obra da escritora britânica Virginia Woolf, Mrs. Dalloway, que descreve um dia, da senhora título do livro, na preparação de uma festa em sua residência. Nicole Kidman personifica a escritora Woolf na antiga Inglaterra, vivendo em uma pequena cidade com seus problemas de saúde psicológica, a insolência de seus empregados e o desafio de escrever a obra Mrs. Dalloway.

Nos anos 50, Laura Brown, interpretada pela magnífica Julianne Moore, contenta-se com o american way of life, mantendo todas as aparências familiares e sociais ao lado de seu marido e seu filho de cinco anos. Já no século XXI, Clarissa Vaughan, vivida pela talentosa Maryl Streep, reproduz o tema do livro Mrs. Dalloway, organizando uma comemoração para seu amigo, vitima de AIDS, por suas produções poéticas.

Aquilo que o filme realmente sente a necessidade de mostrar, sem mesmo dar explicações plausíveis, é o descontentamento e conseqüentemente a depressão dessas mulheres. O filme inicia-se com a carta fúnebre deixada por Virginia Woolf para seu marido, uma vez que a escritora suicidou-se na vida real afogando-se, cena retratada na produção. Porém, o filme mostra Virginia não em completo sufoco, mas em aprendizado, seja pela visita familiar ou pela superação às criticas daqueles em sua volta.
 
Ela revela-se precisa através da sua produção literária e entende seu exílio, como forma de não ser vitima dos olhares e comentários daqueles que com ela convivem. No meio do século deparamos com Laura Brown, uma perfeita mulher americana. Com a casa limpa e os cuidados com a família, Laura se vê presa a um mundo que não permite a expansão dos seus anseios e suas atitudes se tornam eloqüentes ao considerado correto. A partir da seqüência onde ela faz um bolo para seu marido justificando que assim ele saberia que sua família o ama, seus pensamentos vagam numa briga entre aparência e sentimento. Seu filho é alvo de seu conflito nos deixando intrigados com o quanto isso poderia afetar a sua infância.
 
Na modernidade, Clarissa Vaughan é uma mulher forte, dentro de um relacionamento com outra mulher, possui uma filha e cuida do amigo doente. Essa sua força é revelada pelas suas decisões e atitudes acima de seus pensamentos de como foi possível acontecer tudo à sua volta.
Com uma ótima direção, impecáveis atuações e perfeita edição, transitando entre os tempos como se as ações das três mulheres se completassem, As Horas é um filme belo e questionável. O que seriam estas horas que nossas vidas não entendem? Momentos rápidos de felicidades e longos momentos de tristezas? Um simples instante ou o avanço do tempo seria capaz de apagar o que passou? O filme choca em certas situações também, mas mesmo os três beijos entre mulheres existentes no longa, passam despercebidos ao real sentido que esse ato reflete, seja por agradecimento ou conforto, mostrando seu lado poético e versátil. Assim nos deixa a mensagem que horas vem e vão, mas que nós somos responsáveis pelo que elas vão representar.
 

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