Patenses opinam sobre a abertura do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff

Após alcançar os 342 pontos necessários, o aval de afastamento da Presidente será decidido pelo Senado Federal. A população patense divide-se entre os que concordam e discordam a decisão.

Caio Machado
18/04/2016 - 12h07

Patenses opinam sobre a abertura do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff

Após a aprovação da abertura do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) na noite deste domingo (17/04), o Brasil dividiu-se entre os que apoiam e desaprovam o procedimento ocorrido na Câmara dos Deputados, presidida por Eduardo Cunha. A decisão de afastamento temporário de Dilma está agora nas mãos do Senado Federal.

Em Patos de Minas, parte da população é favorável a aprovação decidida pela votação realizada na Câmara dos Deputados, que atingiu os 342 pontos necessários. Para o contador Gustavo Henrique, 22, a decisão não colocará fim a corrupção, mas é uma chance de amenizar a situação. “Apoio o impeachment porque vejo uma má administração da Presidente. O governo nada mais é do que uma empresa prestadora de serviço a população e o dinheiro arrecadado não está sendo aplicado e destinado da forma correta” afirma Gustavo.

O advogado Eduardo Ribeiro, 27, é favorável a decisão e acredita que a luta deve continuar com a punição dos demais políticos corruptos, começando por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados. “Acho importante observar que o fato do Cunha ser um bandido da pior espécie, não deslegitima o processo. Ele é apenas UM voto e o fato de ser presidente da Câmara não confere a ele nenhum poder especial na hora de votar“.

Para Eduardo, mesmo tratando-se de um processo previsto na Constituição Brasileira, a decisão não resolverá a situação do país, porém possui uma finalidade punitiva que deve ser cumprida. “O impedimento valerá mais como um abalo nas estruturas corruptas da política brasileira e, acima de tudo, como um tapa na cara da impunidade”. O advogado ainda despreza os “discursos inflamados” de deputados como Jean Willys e Jair Bolsonaro, que em sua opinião, não passam de ignorância política.

Do outro lado, um professor da rede pública, que preferiu não se identificar, apontou cinco motivos pelos quais discorda da decisão. “1º: No meu entendimento, a "contabilidade criativa" não se configurava crime de responsabilidade fiscal; 2º: O que está em jogo é uma questão de soberania nacional, entregando ou não, recursos estratégicos para as multinacionais; 3º: Caso vingue, o impeachment significa o fim de um ciclo de expansão da rede federal de ensino, da tentativa de diminuição do deficit imobiliário e enterra o desenvolvimento nacional autônomo; 4º: Os mais exaltados a favor do impedimento estão diretamente ligados a crimes contra a dignidade humana, como por exemplo Bolsonaro, que cita torturadores e defende um período tenebroso da história do país e 5º: Com o afastamento de Dilma, creio que gradativamente as investigações contra corrupção vão ser abafadas, uma vez em que tanto o vice Temer, como Eduardo Cunha, são investigados”.

Também contrário a decisão da Câmara dos Deputados, o estudante de Biotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Rubens Alves Veríssimo, 27, sustenta que as acusações à Dilma são infundadas e dizem respeito aos erros cometidos pelo PT. “Acusam Dilma de corrupção, quando ela sequer foi citada em nenhum esquema. Ainda que boa parte da população apoie esse processo, acredito tratar-se de uma jogada de Cunha, que aposta na instabilidade política para se safar da cassação de seu mandato”.

Incerto do que acontecerá a seguir, o universitário almeja que as mesmas pessoas que foram às ruas para a retirada de Dilma, continuem lutando e manifestando para que os demais acusados de corrupção também sofram as devidas consequências.

As movimentações do impeachment terão continuidade no Senado Federal e se Dilma Rousseff for afastada, o cargo presidencial será ocupado pelo vice Michel Temer do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).