Crítica: O segredo de Brokeback Mountain

Lançado em 2005 e vencedor de três prêmios Oscar, "O segredo de Brokeback Moutain" gerou polêmica. Porém, causou um impacto de sensibilidade e humanismo na maioria de seus telespectadores.

Laura Silva
22/10/2008 - 14h09

Crítica: O segredo de Brokeback Mountain

*Estrelado por Heath Ledger e Jake Gyllenhaal , Brokeback Mountain custou cerca de 14 milhões de dólares para ser produzido .Desde sua estréia, arrecadou aproximadamente 180 milhões de dólares nas bilheterias de todo o mundo, o que representa um lucro cerca de doze vezes maior que o custo de produção.

O filme lucrou mais de 80 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos transformando-o no oitavo filme dramático de romance com melhor bilheteria naquele país. * Fonte: Wikipedia 

História do filme: ''estado americano de Wyoming, verão de 1963. Dois jovens rapazes, um rancheiro e um peão de rodeio, têm suas vidas cruzadas ao trabalharem juntos pastoreando ovelhas no alto da montanha Brokeback. Ennis Del Mar é um jovem órfão, reservado e com um passado traumático que o impede de descobrir sua própria identidade. Jack Twist é o seu oposto: brincalhão e expansivo, sabe exatamente quem é e o que deseja. 

Ennis busca neste emprego temporário dinheiro para poder se casar e ter uma vida estável. Jack não sabe exatamente qual é o destino que vai seguir. Em comum, o anseio a uma vida melhor no meio de um estado que parece ainda perdido no tempo. Os rapazes jamais poderiam imaginar que um simples trabalho de verão pudesse marcar suas vidas para sempre.''

Crítica, por Laura Silva: o Segredo de Brokeback é um filme de força indiscutível, rara sensibilidade e de coragem surpreendente. Em nenhum momento disfarça aquilo que realmente é, mesmo com toda a força conservadora: uma grande história de amor entre dois homens. Seria fácil taxar o filme como “faroeste gay” ou um outro rótulo preconceituoso qualquer, mas ele se mostra tão verdadeiro que é impossível não se render a ele. 

A história entre dois caubóis que ao partilharem a dureza em se viver sobre situações altamente desfavoráveis, como a falta de conforto, de comida, do clima instável, e que em uma noite fria acabam se relacionando sexualmente (sem nenhum glamour hollywoodiano, diga-se de passagem), não seria bem aceita por grande parte do público. O filme documenta o complexo relacionamento emocional, sexual e romântico que eles passam a ter no curso de vinte anos.
 
Afinal, eles não se consideram gays, não agem como tais e não pretendem levar aquilo adiante quando descerem a montanha. Nesse ponto é que o filme deixa de ser menos faroeste para se tornar mais dramático, porque entra em cena o conflito entre a identidade sexual e a repressão social, pois eles simplesmente não sabem o que fazer com este amor – em uma época de grande movimentação sobre a liberdade sexual e que eles nem fazem idéia que esteja existindo!
 
É preciso um período de quatro anos para que se reencontrem após os trabalhos na montanha Brokeback, já casados e com famílias constituídas, mas ainda com a chama da paixão queimando por dentro. Continuam incapazes de assumir os sentimentos e passam a vida pagando os próprios pecados. É aí que reside a força do filme.
 
Grande parte desse mérito cabe a Heath Ledger (que de quebra encena o momento mais lindo do cinema nos últimos anos, envolvendo uma mísera camisa e um cartão postal).
 
Enfim, O Segredo de Brokeback Mountain é um filme marcante, que faz chorar e que fica ressoando na cabeça. Seja você heterossexual, seja você homossexual. E, por isso mesmo, força a reflexão sobre o verdadeiro sentido sobre a intolerância, sobre a falta de amor ao próximo, sobre como somos cruéis uns com os outros.
 
O mundo se esquece que há diferentes raças, diferentes credos, diferentes opções sexuais, mas que somos todos seres humanos. 

 

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